terça-feira, 20 de março de 2012

AMÓS, O PROFETA BOIADEIRO

Amós nasceu na cidade de Tecoa, a 16 quilômetros de Jerusalém, e foi considerado o terceiro profeta menor. O primeiro foi Oséias e o segundo Joel, que o precederam no ministério profético.
Amós era boiadeiro e foi morar em Judá antes de iniciar o seu ministério profético. Apesar de ser um homem de vida rural (fazendeiro), era muito culto, profundo conhecedor do Pentateuco, bem versado em história e nos problemas sociais de sua época (Amós 2.9-11; 3.1; 4.11). Ele escreveu um livro de nove capítulos, o qual recebeu seu nome (O Livro de Amós). O estilo literário rico e vibrante deste livro denota que ele possuía conhecimentos aprimorados de estilística.
Para melhor compreensão dos textos, o Livro de Amós foi dividido em quatro grandes partes: 1)A execução do julgamento do Senhor Deus é certa, não só contra as nações circunvizinhas, mas especialmente contra Israel (Amós 1.1-2.16). 2)A Mensagem do julgamento de Deus contra a nação hebraica (Amós 3.1-6.14). 3)Visões e profecias mostram que está próximo o fim de Israel (Amós 7.1-8.14). 4)Punição e restauração de Israel pelo Senhor Deus (Amós 9.1-15).
Amós iniciou o seu ministério de profecias numa época de grande prosperidade material no reino de Israel. O povo estava orgulhoso e confiante, o comércio prosperava, o nível de vida melhorava visivelmente e o luxo, antes desconhecido, tornava-se cada vez mais comum a todos. Nesse contexto surgiu o profeta Amós anunciando o Juízo Divino que se aproximava, proferindo "desgraças" no meio da felicidade do povo.
A condição moral do povo israelita na época muito deixava a desejar, pois a imoralidade, a embriaguez, a usura, a prostituição, a ganância, a avareza, além de outras, grassava na sociedade (Amós 2.7,8; 4.1; 6.4-6). O mais grave, porém, era a exploração e a opressão dos pobres e necessitados.
A condição social de Israel também era muito comprometida quantitativa e eqüitativamente. Com o tempo, a prosperidade social passou a ser o privilégio de uma minoria. O dinheiro era emprestado com usura. A propriedade dos pobres empenhada. Pesos e medidas eram falsificados (Amós 2.16; 3.10; 5.10-12; 6.3-7).
O homem de Tecoa (Amós) foi o profeta que mais veementemente defendeu a causa dos pobres contra os ricos e poderosos. O cunho social de seu livro lembra a Epístola de Tiago, no Novo Testamento. A mensagem de Amós ainda continua vibrante em nossa época hodierna.
As profecias de Amós caracterizam-se por uma enérgica mensagem simbólica e exortativa, com figuras tiradas do dia-a-dia das atividades agrícolas e pastoris do deserto, e do contato íntimo com a natureza. Amós fala em pôr-do-sol, plantações, colheitas, jardins e plantios.
No contexto de suas profecias, Amós recebeu cinco visões celestiais, que representam também cinco julgamentos divinos sobre a nação de Israel, que são: 12)Gafanhotos, que atacaram as plantações israelitas, destruindo-as. Esses gafanhotos também representaram as nações inimigas que atacaram e dominaram Israel (Amós 7.1-3). 2)Fogo, que representou a grande seca castigando a terra, e queimando todas as plantações. Essas terras também foram queimadas pela ação dos inimigos de Israel (Amós 7.4-6). 3)Prumo. Isso significou o final da paciência de Deus com a nação de Israel e a aplicação de Sua Reta Justiça Divina (Amós 7.7-9). 4)Um cesto de frutos, que representava que Israel já estava madura para o Juízo Divino (Amós 8.1-14). 5)Ruína no Altar, onde o próprio Deus comanda a destruição do Templo com todos os seus cultos profanos (Amós 9.1-6).
O Livro de Amós se encerra com promessas de restauração da nação de Israel (Amós 9.11-15). Essa restauração está intimamente ligada à vinda do Messias (Jesus Cristo). Em Amós 9.11 lemos sobre a repetição da promessa de Deus ao rei Davi, em 2º Samuel 7.12-17, sobre a pessoa de Jesus Cristo como seu descendente. Tiago, “o médico amado”, faz referência a essa promessa de Deus a Davi em Atos dos Apóstolos 15.16,17.

Dr. Venâncio Josiel dos Santos - Presidente da AELA/MS